Já nada me apetece
dizer ou fazer, do que pensar no que foi feito e em como tudo
acaba. Porque ficam as memórias e as recordações, quando também
elas se deveriam extinguir. Os tempos de nostalgia aparecem, só
agora, na minha mente. Não os queria recordar, não os queria
re-viver, mas já não os quero para mim, mas também não os quero
partilhar com ninguém. O véu do passado surge do nada, implacável,
e assume uma aparência majestosa para me magoar e para me trucidar
de dor. Uma dor lacerante, que me mata lentamente e diariamente,
sem apelo nem agravo, e que me deixa a pensar no tipo de pessoa em
que me tornei. Mas a dor não sai, e o julgamento foi duro, não
afinal está a ser duro. Afinal tudo para quê, com que fim, com que
principio, com que vida? Com que vidas?
Qual é o preço da felicidade, da liberdade, da alegria? O meu
pagamento em dor, prisão, doença, ódio, morte, paixão e amor levou
tudo o que tinha. Com um passado que desejo esquecer, enfrento uma
realidade presente tomada pela amplitude do vazio! Com um futuro,
que será de chuva eterna! Nada a fazer do que precipitar um
final absoluto, um final em raiva de morte, um grito calado
demasiado tempo.
1995-2010 (RG & CD)
Sem lágrimas
Cem lágrimas, foram demais!






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